segunda-feira

Teatro - Os 12 Melhores de Alter

Em Dezembro a turma do 8ºA apresentou à comunidade uma peça de teatro baseada no episódio da história desta Vila "Os 12 Melhores de Alter".

Um episódio importante no entanto pouco conhecido, da história de Portugal, aconteceu na bonita vila de Alter do Chão,distrito de Portalegre, conhecida pela famosa Coudelaria onde se apurou a raça de cavalos lusitanos com o ferro Alter-Real (AR).

Esse episódio retrata a história dos "Doze Melhores de Alter", que até foi recriado para uma peça teatral, pelo "Grupo Alterense de Cultura", aquando da reabertura do Castelo de Alter do Chão no dia 04 de Julho de 2008, que contou com a visita do Presidente da República Dr. Cavaco Silva e outras personalidades ilustres do concelho de Alter e do distrito de Portalegre.

Trata-se da luta pela defesa das liberdades autárquicas e do valor dos homens-bons dos municípios.


(...) D. Afonso III (séc. XIII), após a reconquista cristã, concedeu um foral a esta povoação para animar os homens livres que fugiam das exigências e vexames das terras do Norte a fixarem-se ali, com estatuto de senhorio colectivo. O filho D. Dinis, concedeu novo foral, no qual dava aos moradores as garantias dos homens de Santarém.

Entre outros direitos, os moradores de Alter tinham o de não ser vexados com a odiosa pousadoria. Só o rei e o seu séquito podiam, quando viajavam, instalar-se dentro da vila.

A história na sua simplicidade brutal é esta. Um fidalgo de velha linhagem, Martim Esteves de Moles, ia de viagem e quis apousentar-se na vila. Os homens do concelho, que eram os lavradores mais respeitáveis (mais "honrados", dizia-se na época), entenderam que não tinha esse direito, e recusaram-lhe a guarida que ele pedia. Martim Esteves sentiu-se afrontado na sua honra fidalga: quem julgavam aqueles campónios que eram para assim ousarem resistir a uma ordem sua? Apresentou a sua indignada queixa ao rei. O monarca era então D. Afonso IV, justo e bravio. Deve ter mandado ver nos livros de que lado estava o direito, e a resposta veio clara e definitiva: os de Alter tinham razão e limitaram-se a exercer o direito que o foral lhes concedia. O fidalgo não entendia subtilezas destas. O seu direito era outro. Reuniu os irmãos, cada um arrebanhou os homens de armas que pôde, voltou a Alter e "matou os doze melhores homens de armas que aí havia".

Os melhores significa os de mais alta condição. Eram os lavradores mais antigos, os responsáveis pela administração municipal, e que ele podia com razão presumir serem os mesmos que se tinham oposto à sua entrada na povoação.(...)

O Profº. José Hermano Saraiva, citou uma vez numa palestra na televisão o seguinte: "Os nossos municípios mostram-se tão interessados na história local, por vezes tão empenhados na descoberta de figuras cujos nomes mereçam ser lembrados, que mal compreendo que esta extraordinária página de violência e de coragem na defesa das liberdades autárquicas tenha ficado tão completamente esquecida."

Passou o tempo, mas nada se fez. É mais fácil encontar em Portugal quem saiba quem foram os "Bourgeois de Callais", que quem lembre os "Doze Melhores de Alter."


Adaptado de :http://tracejan.blogspot.sapo.pt

Bibliografia: "O Tempo e a Alma" de José Hermano Saraiva, 1985

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